Pescadores amadores relataram a presença de dezenas de peixes mortos no Rio Sucuriú, em Paraíso das Águas, no último domingo, em um trecho estimado de cerca de 10 quilômetros. A Polícia Militar Ambiental (PMA) informou que a suspeita inicial é de decoada, fenômeno natural que reduz o oxigênio na água após cheias, e comunicou o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) para coleta e análise da água, segundo nota divulgada nesta quarta-feira (4).
Entre as espécies mencionadas pelos pescadores estão jaús, tucunarés, curimbas e piaus. Raphael Maia, que pescava com a esposa, afirmou ter visto a mortandade no trecho entre o porto e a Ponte de Pedra e disse que contou 34 peixes mortos.
Mensagens compartilhadas em grupo de WhatsApp sobre pesca esportiva também descreveram mau cheiro e a presença de peixes boiando e presos em galhos ao longo do rio. Emivan de Almeida Ferreira disse que não foi possível estimar a quantidade total de peixes e afirmou ter feito a primeira denúncia há três anos, com vídeos do que teria registrado.
O comerciante de artigos de pesca Washington Costa afirmou que situações semelhantes vêm sendo observadas há, pelo menos, três anos na região, especialmente após períodos chuvosos. Ele disse que não sabe o que estaria gerando a mortandade.
Pescadores também relataram que, antes do início da piracema atual, voltaram a ver peixes mortos boiando por dias no rio.
Na segunda-feira, a PMA informou ter vistoriado o rio e áreas próximas, incluindo fazendas e a Pequena Central Hidrelétrica Fundãozinho (PCH Fundãozinho), que começou a gerar energia em 2025 e é operada pela Atiaia Renováveis. A corporação disse que, no momento da fiscalização, não encontrou peixes mortos nas águas nem presos às grades da hidrelétrica.
Segundo a PMA, também não foi identificado uso irregular de agrotóxicos nas propriedades rurais próximas. A corporação afirmou que análises preliminares apontam para a decoada, associada ao acúmulo de material orgânico e vegetação seca trazidos por chuvas e cheias, o que pode reduzir o oxigênio na água e levar à morte de peixes por asfixia.
A PMA informou que mantém monitoramento contínuo do Rio Sucuriú e que comunicou o caso ao Imasul para coleta e análise técnica da qualidade da água.