Campo Grande-MS Contrabando
Grupo que recrutava policiais para contrabando é alvo da PF e tem R$ 40 milhões bloqueados
PF e agentes da Receita Federal foram até o Camelódromo de Campo Grande e um estabelecimento foi interditado
18/03/2026 07h23
Por: Pedrinho Bambam Fonte: Midiamax
Policial federal em um dos endereços alvo da ação (Foto: Divulgação)

Um grupo criminoso que recrutava policiais para o contrabando de eletrônicos é alvo da Operação Iscariotes, deflagrada pela PF (Polícia Federal) e Receita Federal, em Campo Grande, na manhã desta quarta-feira (18). Um dos alvos da operação foi o Camelódromo e um estabelecimento foi interditado pelos agentes.

Desde as primeiras horas da manhã desta quarta-feira (18), as equipes estão nas ruas de Campo Grande, Dourados, Belo Horizonte (MG), Vespasiano (MG) e Montes Claros (MG) para cumprir cerca de 90 mandados expedidos pela Justiça Federal.

Segundo a PF, a operação visa reprimir a atuação do grupo criminoso, investigado por contrabando, descaminho, lavagem de capitais, corrupção passiva e violação de sigilo.

Após o avanço das investigações, foram expedidos 31 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão preventiva. Também, um dos investigados é alvo de mandado de monitoração eletrônica, dois foram afastados das funções públicas e seis tiveram o porte de arma de fogo suspenso.

Além disso, 12 pessoas físicas e jurídicas tiveram cerca de R$ 40 milhões sequestrados, sendo ao menos 10 imóveis e 12 veículos. Seis pessoas jurídicas tiveram as atividades suspensas.

A operação contou com apoio das corregedorias da PRF (Polícia Rodoviária Federal), da PM (Polícia Militar), da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul.

Criminosos escondiam escondidos eletrônicos em cargas lícitas durante a distribuição por Campo Grande e cidades de Minas Gerais. (Reprodução, PF)

Investigações

A organização criminosa é especializada na importação fraudulenta de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado. Os eletrônicos eram importados sem documentação fiscal e sem a regularização dos órgãos de controle aduaneiro.

As investigações revelaram que, após ingressarem com os produtos no Brasil, os criminosos distribuíam os eletrônicos, muitos fracionados e escondidos em cargas lícitas, para Campo Grande e outras cidades do país, especialmente no estado de Minas Gerais.

Além disso, a organização criminosa usava veículos adaptados com compartimentos ocultos para facilitar o transporte e a distribuição dos eletrônicos.

Atuação de agentes da segurança pública

Os criminosos também contavam com a participação de agentes vinculados a órgãos de segurança pública, como aposentados e da ativa, que usavam de suas funções para favorecer a atuação do grupo.

Os agentes forneciam e monitoravam informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais e também atuavam no transporte das mercadorias. Durante as investigações, vários criminosos foram presos em flagrante, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais.