A Petrobras aprovou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), em Três Lagoas, paralisadas desde 2015. A previsão é que os trabalhos sejam reiniciados ainda no primeiro semestre deste ano, com investimento estimado em cerca de US$ 1 bilhão.
Segundo a estatal, o projeto passou por uma reavaliação que confirmou a viabilidade técnica e econômica do empreendimento. A estimativa é que a unidade entre em operação comercial em 2029.
Com a retomada das obras, a expectativa é de geração de até 8 mil empregos durante a fase de construção.
O projeto da UFN-3 prevê a produção anual de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia.
A localização estratégica da planta deve facilitar o abastecimento de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, regiões com forte demanda por fertilizantes.
A ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado no Brasil, com demanda próxima de 7 milhões de toneladas, atualmente suprida principalmente por importações. Já a amônia é utilizada tanto na produção de fertilizantes quanto em produtos petroquímicos.
As obras da UFN-3 tiveram início em 2011, mas foram interrompidas em dezembro de 2014, após a Petrobras encerrar o contrato com o consórcio responsável, alegando descumprimento contratual.
Em 2017, a unidade foi colocada à venda dentro da estratégia de desinvestimentos da estatal, que incluía também a Araucária Nitrogenados (ANSA).
No ano seguinte, a empresa chegou a iniciar negociações com o grupo russo Acron, mas o processo foi interrompido após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringiu a venda de estatais sem autorização do Congresso.
Posteriormente, a Petrobras retomou o processo de venda, mas a negociação não avançou, principalmente devido a dificuldades relacionadas ao fornecimento de gás natural, que viria da Bolívia.
A retomada da UFN-3 representa um avanço para o setor de fertilizantes no país, com potencial de reduzir a dependência de importações e fortalecer a cadeia produtiva do agronegócio, especialmente na região Centro-Oeste.