A família de Rafael da Silva Costa, de 35 anos, participa na tarde desta quarta-feira (6) da primeira audiência de instrução e julgamento do caso, que acontece na 1ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande. Os réus são os policiais militares José Laurentino dos Santos Neto e Vinícius Araújo Soares.
Rafael morreu no dia 21 de novembro do ano passado, quando estava sob efeito de drogas e em surto em um supermercado no bairro Tarsila do Amaral. Câmeras de segurança registraram a abordagem policial e o momento em que Rafael foi derrubado na calçada pelos militares.
Nas imagens, foi possível visualizar o momento em que os policiais usaram spray de pimenta e disparos de arma de choque para tentar conter o homem. Assim, ele foi encaminhado para atendimento médico, mas morreu.
Já nesta tarde, os militares que são réus e cerca de 10 testemunhas de acusação arroladas pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) participam da audiência no Fórum.
A irmã de Rafael, Tatiane da Silva Costa, se emocionou ao relembrar como recebeu a notícia de que o irmão havia falecido naquele dia. “Fomos ao local em busca da verdade e a única coisa que sabiam falar é que ele havia apanhado muito. Meu irmão era pai, trabalhador e um ótimo irmão. Não tenho nem palavras para expressar a falta que ele faz. Eu espero justiça”, disse Tatiane.
Edmundo Batista Oliveira, pai de Rafael, também pediu por justiça pela morte do filho. “Eu espero justiça, tem que fazer justiça e não deixar barato. A gente chama a polícia para ajudar e não para destruir e matar”, pontuou.
Uma semana após o ocorrido, a reportagem obteve acesso às imagens de câmeras de segurança do estabelecimento onde ocorreu a abordagem. Os registros mostram Rafael sendo derrubado violentamente na calçada e, aparentemente, sendo agredido com cassetete.
Também foi possível visualizar o momento em que os policiais usaram spray de pimenta e disparos de arma de choque para tentar conter o homem.
O advogado Walisson dos Reis Pereira da Silva, que representa a família de Rafael, disse ao Jornal Midiamax que houve uma ação truculenta.
“As imagens desmentem tudo o que a Polícia Militar alega. Na verdade, o Rafael ficou calmo quando a polícia chegou. Ele foi abordado, estava pedindo ajuda e o policial algemou ele. Jogaram ele no chão, deram socos e pontapés na cabeça dele, além de choque e spray de pimenta. Entendemos que o Rafael passou por uma sessão de tortura praticada por policiais militares, que cometeram o crime de homicídio, de tortura, de homicídio com dolo eventual”, defende.
“Não tinha a intenção de matar, mas assumiram o risco de produzir esse resultado. Eles jogaram Rafael desmaiado, sem respirar, dentro da viatura, como se fosse um porco. O sargento, que já fez isso em outra ocasião, com outra vítima, falou com ele, disse: ‘Acorda, vagabundo, eu já te conheço’. Ou seja, esse policial também já o agrediu antes, e isso tem que ser investigado”, frisa.