A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai produzir no Brasil a cladribina oral, medicamento de alto custo já distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a pacientes com esclerose múltipla. A produção nacional deve reduzir os custos de aquisição e ampliar o acesso ao tratamento, segundo a instituição. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (21).
Comercializado como Mavenclad, o medicamento foi incorporado ao SUS em 2023 para pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente altamente ativa. Esse grupo inclui pessoas com surtos frequentes ou progressão rápida da doença, mesmo após o uso da terapia de base.
Atualmente, o custo médio do tratamento para cada paciente é de quase R$ 140 mil em cinco anos. A estimativa é de que cerca de 3,2 mil pessoas tenham a doença com alta atividade no país.
No Brasil, mais de 30 mil pessoas convivem com a esclerose múltipla remitente-recorrente, a forma mais comum da doença. Ela é marcada por episódios de surtos intercalados com períodos de remissão.
A esclerose múltipla é uma doença crônica degenerativa que afeta o cérebro e a medula espinhal e pode provocar diferentes graus de comprometimento. Em alguns casos, as consequências incluem cegueira, paralisia e perda das funções cognitivas.
A parceria para a produção será firmada entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz, a farmacêutica Merck, que produz o Mavenclad, e a indústria química-farmacêutica Nortec. Segundo a diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, este será o primeiro medicamento produzido pelo instituto para o tratamento da esclerose múltipla.
O instituto da Fiocruz atua em terapias de alto valor voltadas principalmente para doenças negligenciadas. De acordo com a diretora, a parceria reforça o compromisso com o fortalecimento do SUS e com a promoção do acesso a tratamentos produzidos no país.
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, afirmou que a parceria fortalece os laços tecnológicos da fundação com parceiros nacionais e internacionais e destaca o papel estratégico dos laboratórios públicos. A Fundação mantém outros dois acordos com a Merck, um para a produção de betainterferona 1a, usada no tratamento da esclerose, e outro para um medicamento contra a esquistossomose em crianças.
Estudos recentes apresentados no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla indicaram redução da lesão neuronal em dois anos entre pacientes que usaram o medicamento. Outras pesquisas apontaram que 81% conseguiram andar sem apoio e mais da metade não precisou de outro medicamento.