Geral Agronegócios
Dependência do mercado chinês coloca agro de MS em alerta para cenário internacional
Informativo da Aprosoja/MS aponta riscos para exportações, custos de produção e planejamento financeiro do produtor rural.
21/05/2026 14h31
Por: Davi Oliveira Fonte: Idest

A dependência de Mato Grosso do Sul do mercado chinês voltou ao centro das discussões econômicas diante do aumento das tensões entre China, Taiwan e Estados Unidos. O tema é destaque do Informativo Econômico 02/2026, divulgado pela Aprosoja/MS, que aponta possíveis reflexos no agronegócio sul-mato-grossense.

De acordo com o levantamento, aproximadamente 84,3% da soja exportada pelo Estado tem a China como principal destino, evidenciando a forte dependência do mercado asiático.

Segundo a análise da Aprosoja/MS, qualquer agravamento das tensões internacionais pode afetar diretamente o setor produtivo, principalmente nos custos de produção e na comercialização da safra.

Exportações e logística no radar

O estudo destaca que a ausência de um acordo mais amplo entre Estados Unidos e China para ampliação das compras chinesas de soja norte-americana gerou volatilidade na Bolsa de Chicago, pressionando os preços internacionais da commodity e refletindo também no mercado brasileiro.

Ao mesmo tempo, o cenário reforça a posição estratégica do Brasil como fornecedor da China, especialmente em períodos de maior competitividade logística e comercial frente aos Estados Unidos.

A Aprosoja/MS também chama atenção para a relevância geopolítica de Taiwan, região considerada estratégica por concentrar grande parte da produção mundial de semicondutores avançados e por estar localizada em uma das principais rotas marítimas do comércio internacional.

Fertilizantes e dólar preocupam produtores

Além das exportações de soja, o levantamento aponta que o Brasil depende da importação de fertilizantes e insumos agrícolas ligados ao comércio internacional asiático. Entre os principais fornecedores estão Canadá, responsável por 14% das importações, Rússia, também com 14%, e China, com 12%.

Conforme o estudo, mesmo sem um conflito direto, um eventual agravamento das tensões entre China, Taiwan e Estados Unidos pode provocar:

O informativo destaca ainda que a valorização do dólar pode elevar o preço das commodities em reais, mas também aumenta os custos de fertilizantes, defensivos, combustíveis e demais insumos dolarizados.

Cenário pode abrir oportunidades ao Brasil

Apesar dos riscos, a Aprosoja/MS avalia que uma intensificação da disputa estratégica entre China e Estados Unidos pode fortalecer as relações comerciais entre China e Brasil.

Segundo o documento, a China busca reduzir a dependência de fornecedores norte-americanos em produtos considerados estratégicos, como soja, milho e proteínas animais, o que pode favorecer estados exportadores como Mato Grosso do Sul.

Ainda assim, os analistas alertam que o produtor rural deve manter atenção à gestão de custos e à capacidade financeira em um cenário de maior volatilidade internacional.

“O principal desafio do produtor não será apenas acompanhar a alta ou queda dos preços da soja e do milho, mas sim monitorar sua relação de troca, seu custo de produção e sua capacidade financeira”, aponta o informativo.

O Informativo Econômico 02/2026 foi elaborado pelos analistas Raphael Flores Gimenes e Linneu Borges Filho.