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Dia Mundial da Esclerose Múltipla reforça importância do diagnóstico precoce e acesso ao tratamento
Com cerca de 40 mil pessoas afetadas no Brasil, doença neurológica ainda não tem cura, mas avanços terapêuticos ajudam a controlar sua progressão e melhorar a qualidade de vida.
30/05/2026 09h43
Por: Davi Oliveira Fonte: Idest

Neste sábado (30), o Dia Mundial da Esclerose Múltipla chama a atenção para uma doença que afeta mais de 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, cerca de 40 mil pessoas convivem com a enfermidade. Embora ainda não exista cura, especialistas destacam que o diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são fundamentais para estabilizar a progressão da doença e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

Doença afeta principalmente mulheres e adultos jovens

De acordo com a OMS, o número de pessoas diagnosticadas com esclerose múltipla tem aumentado gradativamente ao longo dos anos, sendo a maioria dos casos registrada entre mulheres. Dados da Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF) apontam que, a cada cinco minutos, uma pessoa recebe o diagnóstico da doença em algum lugar do mundo.

Considerada uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central, a esclerose múltipla afeta o cérebro e a medula espinhal, podendo comprometer funções motoras, cognitivas, visuais e sensoriais.

O Ministério da Saúde informa que a enfermidade acomete principalmente pessoas entre 20 e 50 anos, com maior incidência por volta dos 30 anos. Em média, a doença é duas vezes mais frequente em mulheres e apresenta menor ocorrência entre populações afrodescendentes, orientais e indígenas.

Entenda o que causa a esclerose múltipla

Segundo o neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema e membro da Federação Mundial de Neurorradiologia, a esclerose múltipla é uma doença autoimune que ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo.

Nesse processo, a principal estrutura afetada é a mielina, substância responsável por proteger e facilitar a condução dos impulsos nervosos no cérebro e na medula espinhal. A destruição dessa camada protetora interfere na comunicação entre o cérebro e o restante do corpo, provocando diferentes manifestações neurológicas.

Sintomas variam e podem atrasar o diagnóstico

Os sintomas da esclerose múltipla variam de pessoa para pessoa e podem surgir de forma intermitente, fator que frequentemente contribui para o atraso na busca por atendimento especializado.

Entre os sinais mais comuns estão fadiga intensa, alterações visuais, formigamentos, fraqueza muscular, desequilíbrio, dificuldades motoras e alterações urinárias.

Especialistas alertam que sintomas persistentes ou considerados fora do padrão não devem ser ignorados. Como a doença pode afetar diferentes funções neurológicas ao longo do tempo, a investigação adequada é considerada essencial para evitar atrasos no diagnóstico.

Orlando Maia destaca que muitos pacientes convivem durante meses ou até anos com sintomas neurológicos tratados como problemas passageiros. Segundo ele, investigar precocemente pode fazer diferença significativa na preservação da qualidade de vida e na condução do tratamento.

SUS oferece medicamentos gratuitamente

O tratamento da esclerose múltipla está contemplado pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, que garante tanto o diagnóstico quanto o fornecimento gratuito de medicamentos aos pacientes.

Para ter acesso às medicações pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é necessário passar por avaliação médica, preferencialmente com neurologista da rede pública. O profissional deverá preencher o Laudo de Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos (LME).

Com o laudo, exames como a ressonância magnética e os documentos pessoais, o paciente deve procurar a Farmácia de Alto Custo mais próxima para solicitar o acesso ao tratamento disponibilizado pelo SUS.