Pacientes que aguardavam há anos por uma ressonância magnética pelo Sistema Único de Saúde (SUS) começam a ter acesso mais rápido ao exame com a entrada em funcionamento do primeiro aparelho da rede pública instalado no Hospital Regional de Dourados (HRD). Em operação desde 27 de abril, o equipamento atende a macrorregião do Cone Sul, formada por 34 municípios, ampliando o acesso ao diagnóstico e fortalecendo a capacidade de atendimento da rede pública.
Uma das pacientes beneficiadas é Adelina Sales, moradora da zona rural, que esperava há cerca de quatro anos pela realização do exame. Para chegar ao hospital, precisou sair de casa durante a madrugada, mas considera que a longa espera finalmente teve uma resposta.
“Levantamos meia-noite para poder estar aqui. Saímos de casa às três da manhã e chegamos quase às sete. Foi cansativo, mas graças a Deus deu tudo certo. A gente mora na roça e ficava esperando, esperando, e nunca saía. Agora saiu, graças a Deus”, relatou.
Em tratamento por causa de artrose no joelho, Adelina já havia passado por consultas, encaminhamentos e até realizado um exame fora de Mato Grosso do Sul. Mesmo assim, aguardava uma nova avaliação para dar continuidade ao tratamento.
Com capacidade estimada para cerca de 500 exames por mês, o novo serviço amplia o acesso a um dos principais métodos de diagnóstico por imagem utilizados na investigação de doenças ortopédicas, neurológicas e de diversas outras especialidades.
Além do exame, a paciente destacou o atendimento recebido na unidade.
“Tem lugar que parece que a gente é tratada diferente porque é da roça. Cheguei e já vieram pegar meus documentos, me encaminharam rápido, os médicos atenderam muito bem. Fui muito bem tratada”, afirmou.
A moradora de Itaporã, Luciene de Medeiros, também enfrentava uma longa espera. Ela convive com bursite e rompimento dos tendões dos ombros e aguardava uma ressonância magnética desde 2019. O pedido de cirurgia foi realizado em 2023, mas dependia da realização do exame.
“Esse exame que vim fazer hoje já estava esperando há mais de dois anos”, contou.
Segundo ela, a chegada do equipamento representa um avanço importante para pacientes que não têm condições de custear o procedimento na rede privada.
“Se depender de pagar, muita gente nunca consegue fazer. Então isso aqui faz diferença demais para a população”, disse.
Luciene também elogiou a estrutura do hospital. “Já é a terceira vez que venho aqui e continuo achando maravilhoso. A estrutura é muito boa e os aparelhos ajudam bastante.”
O aparelho de ressonância magnética recebeu investimento de R$ 7,5 milhões da Secretaria de Estado de Saúde (SES). A implantação do serviço atende uma demanda antiga da população e amplia a capacidade diagnóstica da rede pública na região.
De acordo com o médico João Hoffmann, o equipamento fortalece principalmente os atendimentos de ortopedia de alta complexidade.
“A ressonância vem para somar à ortopedia de alta complexidade, com atendimentos voltados para coluna, ombro, joelho e lesões ligamentares, além de auxiliar em cirurgias do aparelho digestivo e outros métodos diagnósticos necessários dentro da rede”, explicou.
A ressonância magnética é um exame fundamental para avaliação detalhada de articulações, músculos, tendões, ligamentos, coluna e outras estruturas do corpo. Para pacientes que dependem exclusivamente do SUS, o acesso ao procedimento representa um passo decisivo para a definição de diagnósticos e tratamentos.
Com a oferta do exame no Hospital Regional de Dourados, a expectativa é reduzir o tempo de espera e ampliar o acesso da população a diagnósticos mais rápidos e precisos, beneficiando moradores de dezenas de municípios da região.