A integração entre órgãos públicos, forças policiais e setor privado é apontada como fundamental para combater o contrabando de agrotóxicos e outros insumos agropecuários ilegais em Mato Grosso do Sul. O tema foi destacado durante a abertura do Seminário de Capacitação para Fiscalização Integrada de Insumos Agropecuários, realizada na segunda-feira (19), em Campo Grande.
Promovido pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a CropLife Brasil, a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), o evento segue até sexta-feira (23).
A capacitação reúne representantes de diferentes instituições para aprimorar estratégias de fiscalização e enfrentamento a irregularidades no comércio e no transporte de insumos agropecuários.
Durante a abertura, o secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Alex Melotto, destacou que a atuação conjunta é necessária para proteger a atividade rural, preservar os investimentos realizados no Estado e evitar que produtos ilegais comprometam a sanidade vegetal e a sustentabilidade da produção.
“Essa é uma demonstração da nossa força, especialmente da nossa cooperação. Mato Grosso do Sul construiu uma base agropecuária importante, com investimentos e trabalho dos produtores rurais, e todo esse esforço pode ser colocado em risco pelo contrabando de insumos. Por isso, precisamos trabalhar juntos, identificar os produtos ilegais e saber como retirá-los de circulação”, afirmou.
Melotto também chamou a atenção para os riscos dos produtos falsificados à defesa fitossanitária. Como exemplo, citou a citricultura, setor em expansão no Estado que depende do controle de pragas como o psilídeo, inseto transmissor da doença conhecida como greening.
“Se o produtor utiliza um produto falsificado acreditando que está controlando o psilídeo, mas o produto não tem eficácia, podemos comprometer todo o trabalho de prevenção ao greening. É um risco que exige atenção e uma resposta coordenada das instituições”, ressaltou.
O secretário-adjunto também destacou os desafios impostos pela extensa fronteira seca de Mato Grosso do Sul, com mais de 800 quilômetros, que exige articulação permanente entre órgãos estaduais e federais, forças policiais e representantes do setor produtivo.
“Precisamos unir conhecimento técnico, inteligência e capacidade operacional para enfrentar esse problema. O combate ao contrabando protege não apenas o produtor rural e a economia formal, mas também a saúde da população e o meio ambiente”, acrescentou.
O diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold, destacou que a fiscalização de insumos ilegais também busca proteger os próprios produtores rurais, que podem ser enganados ao adquirir produtos falsificados vendidos como se fossem originais.
Segundo ele, há casos em que embalagens e documentos fiscais aparentemente regulares ocultam produtos que não contêm os ingredientes ativos declarados no rótulo. A situação pode comprometer o controle de pragas, provocar prejuízos econômicos e ampliar os riscos ambientais.
“O produtor também é vítima. Ele compra um produto acreditando que está adquirindo um insumo legítimo, mas, na realidade, pode estar levando para a propriedade algo que não vai resolver o problema. Nosso objetivo é trabalhar em parceria para garantir a sanidade, a segurança e a prosperidade do produtor”, afirmou Ingold.
A programação do seminário inclui atividades teóricas e práticas voltadas ao reconhecimento de agrotóxicos ilegais, à identificação de sementes clandestinas, à análise de documentos fiscais e de transporte e a exercícios de fiscalização em rodovias.
Os participantes também trabalham com situações relacionadas ao desvio de embalagens de agrotóxicos, a fraudes documentais e à fiscalização do trânsito de animais.
A expectativa é ampliar a capacidade de atuação conjunta das instituições, fortalecer a troca de informações e aprimorar os procedimentos de identificação e apreensão de produtos irregulares.
A iniciativa busca fortalecer a segurança sanitária, preservar o meio ambiente, proteger os produtores rurais e garantir condições mais justas de concorrência para quem atua legalmente na agropecuária.
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