A Ciclou, greentech brasileira especializada em economia circular e produção artesanal com impacto social, foi recentemente aprovada no programa FAPESP para o desenvolvimento de uma nova tecnologia voltada ao setor de upcycling. A proposta visa democratizar e expandir esse modelo produtivo em todo o território nacional, facilitando o acesso a soluções circulares por empresas, cooperativas, artistas, governos e gestoras de resíduos.
A tecnologia em desenvolvimento pretende estruturar um ecossistema digital inteligente, com funcionalidades como: cadastro automatizado de resíduos, sugestão de reaproveitamento com base em inteligência artificial (IA), conexões entre materiais e artesãos, rastreamento de impacto e integração com sistemas logísticos e marketplaces. O lançamento do MVP está previsto para o início de 2026.
Segundo Amanda Martins, CEO da Ciclou, “esse é um pequeno, mas significativo passo para marcas e artistas que atuam com upcycling. Democratizar o acesso à tecnologia é essencial para ampliar a escala e a viabilidade econômica da produção circular”.
Segundo pesquisa citada pela Fundação Ellen MacArthur e divulgada pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), cerca de 170 mil toneladas de roupas são produzidas por ano no Brasil, mas apenas 20% são recicladas ou reaproveitadas. Em escala global, 80% dos têxteis descartados são incinerados, enviados a aterros ou abandonados no meio ambiente, mesmo tendo potencial criativo e funcional para novas cadeias produtivas. Alguns exemplos são tecidos de uniformes, lonas, banners e roupas inutilizadas, contribuindo para o desperdício de recursos e a poluição ambiental.
Com o objetivo de conectar essas pontas, a nova plataforma da Ciclou busca viabilizar o reaproveitamento desses resíduos em larga escala, tornando o planejamento, a produção e a rastreabilidade de produtos upcycling mais eficientes e acessíveis.
Além da frente tecnológica, a startup também expande sua atuação social. Em parceria com o Instituto Saber Social, em Sumaré (SP), a Ciclou viabilizará a venda de produtos circulares em bazares a preços acessíveis e apoiará a formação de novos artesãos. O objetivo é articular projetos com empresas interessadas em transformar descartes como uniformes, banners e sobras têxteis em objetos com propósito e valor agregado.
A parceria envolve ainda a Edugital, consultoria responsável pelo planejamento estratégico, inovação educacional e análise de impacto dos projetos da Ciclou. Alan Dantas, diretor de inovação da Ciclou e conselheiro no projeto FAPESP, destaca: “O futuro da sustentabilidade passa pela convergência entre educação, tecnologia e cultura produtiva local. O que estamos desenvolvendo aqui é um modelo replicável de impacto sistêmico”.
A Ciclou já atendeu grandes empresas com soluções sob medida em logística reversa, brindes sustentáveis e workshops de formação em sustentabilidade. Mais de 3 toneladas de materiais foram reaproveitadas e 200 artesãos já foram mapeados ou mobilizados em sua rede nacional.
Organizações, marcas, artesãos e parceiros interessados em participar dos testes da nova plataforma ou das formações associadas podem entrar em contato pelo site oficial:
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