Antes de morrer no hospital de Camapuã, cidade a 141 km de Campo Grande, nesta quarta-feira (9), após ser estuprada pelo próprio pai, a menina de 1 ano e 9 meses já apresentava sinais de negligência no cuidado com a traqueostomia. Em atendimento anterior no Hospital Universitário, na Capital, ela deu entrada com larvas, piolhos e pneumonia. A Polícia Civil apura o caso, que corre sob sigilo.
Conforme nota encaminhada pelo HU, a traqueostomia da criança não foi realizada na unidade, e também não há registro sobre há quanto tempo ela convivia com o procedimento. A bebê deu entrada no hospital no dia 28 de junho, com infecção na traqueostomia, infestada por larvas e piolhos. Ainda segundo o hospital, ela apresentava histórico de dificuldade respiratória, convulsões e episódios de choque.
A infecção identificada, conhecida como miíase, é causada pela presença de larvas de moscas em tecidos e cavidades do corpo, geralmente associada à falta de higiene. É comum em animais de criação, especialmente em áreas rurais, mas rara em humanos. Quando ocorre, costuma atingir pessoas debilitadas, embora também possa se manifestar em pacientes saudáveis.
O hospital informou que durante a internação, a bebê ficou estável, 'respirando bem, comendo normalmente e sem febre após o início do tratamento'. No dia 30 de junho passou por uma cirurgia para retirar as larvas e troca de cânula da traqueostomia por causa de um estreitamento na traqueia.
Na terça-feira (8), data do crime, a criança recebeu alta médica. 'O Hospital comunicou sobre a situação de vulnerabilidade'.
Após a alta - Na terça, a mãe retornou para Camapuã. Na casa onde morava, na Vila Industrial, a mulher dormiu na casa com a filha e o pai da criança. Durante a manhã desta quarta-feira (9), a mãe chegou a trocar a fralda da menina, mas não percebeu qualquer lesão nas partes íntimas.
Ainda não há informações sobre o que motivou a mulher a retornar com a criança ao hospital, ainda na manhã de ontem. Segundo a unidade de saúde de Camapuã, a criança já chegou sem vida. Mesmo assim, foram tentadas técnicas de reanimação pela equipe médica, mas sem sucesso.
No atendimento, foram encontradas lesões recentes nas partes íntimas da criança, motivando o acionamento da polícia na unidade de saúde. O pai também estava no hospital e foi questionado pelos agentes, entrando em contradição em primeiro momento. Pressionado, confessou que 'mexeu' com a criança.
A polícia ainda apura o que ocasionou a morte da bebê, se foi em decorrência dos abusos ou a doença que já tratava. O pai acabou preso em flagrante pela Polícia Militar e encaminhado à delegacia, junto a mãe. Não há informações sobre os procedimentos da polícia adotados em relação a mulher.
A polícia agora apura a situação de maus-tratos, além do estupro e morte da criança. A mulher tem outros filhos, segundo apurou a reportagem. O caso segue sob sigilo.
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