Campo Grande teve um aumento de assassinatos neste ano, com 82 mortes contabilizadas até segunda-feira, maior número desde 2022, ano em que houve 84 homicídios dolosos até o dia 31 de julho. Com a execução ocorrida nesta sexta-feira, o número deste ano passou para 83.
Entre as causas dessas mortes estão brigas relacionadas ao tráfico de drogas, foco da investigação do caso registrado nesta sexta-feira.
O rapaz assassinado, Luís Eduardo Sorrilha Magalhães, de 19 anos, foi encontrado morto na ciclovia da Avenida Lúdio Martins Coelho, no Jardim Leblon. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Lupérsio Degerone Lucio, as investigações apontam que o jovem tinha uma dívida de drogas.
Na cena do crime, de acordo com o delegado Felipe Alvarez, que atendeu o caso, foi possível perceber que o jovem foi executado com 14 tiros, que acertaram o tórax, os braços e as pernas. A morte teria acontecido na noite de quinta-feira, no mesmo local em que o corpo foi encontrado.
Próximo ao cadáver, foram encontradas três cápsulas de calibre nove milímetros e manchas de sangue. O jovem estava de capacete, mas nenhuma moto foi encontrada próximo a cena do crime. Luís Eduardo tem passagens pela polícia, entre elas por homicídio.
“Tudo o que foi apurado até aqui indica que o crime está ligado a briga de droga, teria sido fogo amigo, um acerto de contas por causa de dívida de drogas”, explicou o delegado-geral.
No início da semana, outro crime semelhante aconteceu em Campo Grande, porém, as vítimas não morreram. O fato aconteceu no Jardim Nhanhá, no fim da manhã de segunda-feira. Câmeras de segurança registraram o momento em que dois homens chegaram em um carro e atiraram contra uma dupla, em uma casa localizada na Travessa da Boa Vizinhança.
Os homens foram socorridos e encaminhados para a Santa Casa, mas não tinham ferimentos graves. Segundo o delegado-geral, este caso ainda está em investigação e a polícia apura se o crime tem relação com o tráfico de drogas.
Conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), de janeiro até o dia 21 de julho, foram mortas 82 pessoas em Campo Grande, e, com o caso de sexta, já são 83 assassinatos.
O número apresenta um aumento de 20,5% em relação ao ano passado, quando 68 pessoas foram assassinadas nos sete primeiros meses do ano.
Caso haja um novo assassinato até o fim do mês, este será o período mais violento de Campo Grande desde 2017, quando 95 pessoas foram mortas de janeiro a julho.
Segundo Lupérsio, apesar de alguns casos estarem relacionados com disputa entre criminosos, a polícia tem a responsabilidade de solucionar os casos.
“São situações que infelizmente estão presentes no submundo do crime. Nossa maior preocupação sempre vão ser os casos de latrocínio, feminicídios e mortes de outros gêneros, mas vamos apurar todos os homicídios, e a Denar também atua para prender esses traficantes antes que eles se matem”, declarou o delegado-geral ao Correio do Estado.
Ainda conforme Lupérsio, apesar de as execuções envolvendo desafetos do tráfico terem se tornado mais comuns na Capital, ele não vê que isso tenha afetado o aumento do tráfico dentro da cidade.
“O crime tem crescido a nível mundial, o tráfico tem se tornado cada vez mais lucrativo e as facções cresceram muito, mas não vemos que isso tem afetado no tráfico urbano de Campo Grande”, avalia.
Além da Capital, na semana passada, o Correio do Estado mostrou que na fronteira de Mato Grosso do Sul há uma briga relacionada ao controle do tráfico entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
(Colaborou Naiara Camargo)
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