Dois servidores municipais de Campo Grande — um aposentado e um da ativa — são suspeitos de integrarem o suposto esquema de corrupção em contratações para o sistema de iluminação pública. As investigações apontaram superfaturamento de R$ 62 milhões.
Titular da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), Marcelo Miglioli esclareceu que um dos funcionários públicos foi gerente do setor de iluminação e se aposentou em 2025. O segundo é engenheiro.
“Trabalhamos com seres humanos. Não podemos abrir PAD [Processo Administrativo Disciplinar] sem provas materiais. Em um segundo momento, havendo elementos mais robustos, abriremos investigação”, disse.
Três empresas contratadas pela Sisep são alvos da ação. Além da Construtora B&C (CNPJ: 04.610.413/0001-49), também é investigada a Construtora JLC (CNPJ: 02.326.573/0001-35). Todas elas têm contratos ativos com o Município e já prestam serviços há anos.
Segundo Miglioli, a investigação se restringe ao setor de iluminação pública.
“São três empresas que atendem às sete regiões urbanas de Campo Grande, e que prestam serviço de reparo de braço de luminária, troca de relê e troca de lâmpada. Isso é uma investigação, não uma condenação”, afirmou.
Dessa forma, a Sisep não tomará medidas contra as empresas até que as investigações tragam provas mais robustas.
Em nota, a Prefeitura de Campo Grande afirma que os processos licitatórios são de gestões anteriores e que forneceu todo o material solicitado pelo Gecoc.
Em 19 de dezembro de 2025, o Gecoc/MPMS (Grupo Especial de Combate à Corrupção, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), com apoio do Gaeco (Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado), deflagrou a Operação Apagar das Luzes, contra um esquema de fraudes a licitações de iluminação pública em Campo Grande.
Foram expedidos 14 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e em Balneário Piçarras (SC). O Gaeco de Santa Catarina também colaborou na ação.
As investigações apontaram fraudes constantes em licitações e em contratos para o serviço de manutenção do sistema de iluminação pública de Campo Grande, sendo identificado um superfaturamento superior a R$ 62 milhões.
Levantamentos também trouxeram à tona o envolvimento das empresas contratadas com servidores públicos da Capital. A investigação atinge contratos em vigência, firmados em 2024 e que foram reajustados.
*Alterada às 14h para acréscimo da posição da prefeitura.
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