Em Rio Verde de Mato Grosso do Sul, entre ruas simples, sonhos guardados no peito e uma bola sempre por perto, nasceu uma história marcada por humildade, renúncia e esperança. É nesse cenário que Mateus Riquelme Mota Ortega constrói, passo a passo, sua caminhada no futebol, carregando valores aprendidos desde cedo e uma força que nasceu dentro de casa.
Nascido em 6 de fevereiro de 2007, Riquelme cresceu em uma família simples, criado pelos avós, que se tornaram seu alicerce emocional e moral. Mesmo com dificuldades financeiras e desafios familiares, o apoio dos pais e o histórico da família ligada ao futebol fizeram com que o esporte se tornasse mais do que uma brincadeira de infância: virou um propósito de vida.
“O meu contato com o futebol sempre foi desde pequeno, por conta dos meus pais, que conseguiram chegar ao profissional, no caso do meu pai”, contou o atleta. Ainda aos 10 anos, ele deu os primeiros passos no futsal, na escolinha Nova Geração, em Rio Verde, sob o comando do treinador Marcelo de Paula. Ali, Riquelme aprendeu que talento precisa caminhar junto com esforço. “Ele foi uma das pessoas que acreditava que eu poderia seguir em frente, só que eu tinha que melhorar muito”, lembrou.
O caminho, no entanto, nunca foi fácil. A falta de recursos marcou profundamente essa fase da vida. Muitas vezes, seguir treinando só foi possível graças à solidariedade de amigos. “Eu tinha um amigo que emprestava todos os materiais possíveis para jogar futsal”, recordou, revelando uma realidade comum a muitos jovens que sonham alto, mas começam com pouco.
Aos 13 anos, veio a mudança para o futebol de campo, passando a atuar como zagueiro. Foi um período de insegurança, frustrações e silêncio. “Eu ficava sempre de canto nos times, por não conseguir desenvolver o suficiente”, relembrou. Mesmo se sentindo deixado de lado, Riquelme escolheu não desistir. Cada treino, cada erro e cada espera se transformaram em aprendizado.
Por trás dessa persistência, estava a força da família. “Sempre tive o apoio da família também. Fui criado pelo meu vô e minha avó, e eles gostavam da ideia de eu continuar jogando por conta do histórico familiar”, afirmou. Ao mesmo tempo, ele precisou amadurecer cedo, enfrentando conflitos e dores que não aparecem dentro das quatro linhas. “Tive muitas lutas por trás disso tudo, em questão familiar, que tive que passar”, completou.
A história de Riquelme Ortega não é apenas sobre futebol. É sobre resiliência, gratidão e fé no futuro. É o retrato de um jovem que, mesmo vindo de uma realidade humilde, escolheu acreditar que os sonhos podem crescer junto com o sacrifício. Em cada treino, ele carrega o peso do passado e a esperança de um amanhã melhor, não só para si, mas para todos que acreditaram quando quase ninguém via.
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