Quarta, 17 de Junho de 2026
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Polícia Policial

Padrinho de casamento, Zahran é acusado de dar golpe de R$ 5 milhões em casal

Camillo Zahran vendeu negócios de “fachada” a amigo: de exportação de ouro a lote de cachaça, diz denúncia

29/01/2026 13h57
Por: Davi Oliveira Fonte: Ediçãoms
Padrinho de casamento, Zahran é acusado de dar golpe de R$ 5 milhões em casal

Principal alvo da Operação Castelo de Cartas, deflagrada pela Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de São José do Rio Preto (SP) contra dois dos herdeiros do Grupo Zahran, Camillo Gandi Zahran Georges, de 36 anos, é acusado de dar golpe de R$ 5 milhões em casal de “amigos” de Campo Grande (MS).

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Ele e comparsas foram denunciados pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por associação criminosa e estelionato em dezembro do ano passado, após longa investigação, que passou pelas mãos da Dedfaz (pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações), após vítimas procurarem a polícia em agosto de 2024.

 

Conforme relatado na denúncia, o personal trainer que atendia Camillo acabou se tornando amigo, bem como outro integrante da quadrilha, João Augusto de Almeida de Mendonça, e suas respectivas mulheres. Após ganhar a confiança do educador físico, Zahran passou a oferecer negócios à vítima com promessa de serem altamente lucrativos, de maneira semelhante à narrada pela Deic sobre a investigação em curso que culminou na operação desta quarta-feira (28).

 

“Valendo-se da relação de amizade e confiança com os ofendidos e do prestígio do sobrenome Zahran para conferir credibilidade, Camillo propôs que as vítimas investissem em negócios inexistentes e/ou fraudulentos sob falsa promessa de lucro”, diz a denúncia assinada pela promotora Suzi D'Angelo, da 10ª Promotoria de Justiça.

 

De acordo com o Ministério Público, o golpe envolveu três principais frentes: uma suposta exportação de ouro, com promessa de rendimento mensal de 3,75% (cerca de R$ 93 mil) e devolução do capital em pouco tempo; a falsa representação da cachaça Pitú; e a abertura de um supermercado da rede “Na Boa”, que nunca saiu do papel.

 

O personal começou a aplicar dinheiro nas oportunidades vendidas por Camillo e abril de 2023, narra a denúncia. Ele e a mulher fizeram transferências para contas pessoais de João Augusto, apresentado como braço direito de Zahran, e empresas ligadas a outros dois denunciados, a FDR Cobranças e a Clean Energy Global Ltda. A primeira está em nome de Adriano Piovezan Soares e a segunda de Vagner da Costa Filho.

 

Ainda segundo a denúncia, os rendimentos prometidos não foram pagos e o capital não foi devolvido no prazo combinado. Em determinado momento, ao serem cobrados, os acusados teriam alegado que o dinheiro foi perdido “no garimpo” e mesmo após assinatura de termos de confissão de dívida, os valores não foram restituídos.

 

Foram denunciados Camillo Gandi Zahran Georges, João Augusto de Almeida de Mendonça, Everton Daniel da Costa Ferraz, Adriano Piovezan Soares e Vagner da Costa Filho. Segundo o MP, o grupo atuou de forma articulada, com divisão de tarefas bem definida, para induzir as vítimas a investir em negócios inexistentes ou fraudulentos.

 

O MP atribui a Camillo Gandi Zahran Georges o papel de captação das vítimas e venda dos falsos investimentos, enquanto João Augusto de Mendonça teria atuado como intermediário financeiro e gestor dos valores. Já Everton Ferraz, Adriano Soares e Vagner da Costa Filho são apontados como responsáveis por receber parte dos recursos e auxiliar na dispersão do dinheiro.

 

Na denúncia, oferecida e recebida pela Justiça em dezembro de 2025, o Ministério Público pede o recebimento da ação penal, a condenação dos réus, a fixação de indenização mínima de R$ 5 milhões às vítimas.

 

Castelo de Cartas

 

Nesta quarta-feira, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou a segunda fase da Operação Castelo de Cartas, que investiga uma quadrilha especializada em fraudes financeiras. A ação, coordenada pela Divisão Especializada de Investigações Criminais, cumpriu mandados em Campo Grande.

 

Contra Camillo há mandado de prisão em aberto e ele, portanto, é considerado foragido no momento. A força-tarefa também estava na casa de Gabriel Gandi Zahran Georges, de 38 anos, que foi levado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada), onde foi ouvido por cerca de três horas e liberado. Ambos herdeiros do Grupo Zahran, os irmãos são filhos do ex-deputado Gandi Jamil e netos de Ueze Zahran.

 

A ofensiva da Deic apreendeu R$ 1,5 milhão em notas promissórias, além de R$ 250 mil em espécie durante as buscas nos endereços dos investigados. Também foram confiscados 10 carros de luxo, 7 relógios Rolex e 1 Cartier, as marcas suíças que fabricam os famosos itens que custam de R$ 30 mil a R$ 9 milhões, além de joias, dois iPhones de última geração, cartões bancários, máquinas de cartão e vasta documentação.

 

Outro lado

 

À reportagem, o advogado Márcio de Ávila Martins Filho, que representa os irmãos, alegou que a investigação corre sob sigilo e não pode falar sobre o caso.

 

Por meio da assessoria de imprensa, o Grupo Zahran informou que "as pessoas mencionadas na reportagem nunca possuíram qualquer tipo de vínculo com suas empresas". "Eles são membros da família, mas não prestam serviços, não exercem funções administrativas e não participam da gestão de nenhuma das empresas, que operam de forma independente, com governança própria e em conformidade com a legislação vigente", completa a nota.

 

O espaço fica aberto para a manifestação das defesas dos outros citados.

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