No Brasil, 31% dos adultos são obesos, segundo o Atlas Mundial da Obesidade, publicado pela Federação Mundial da Obesidade. A condição aumenta o risco de ter varizes, caracterizadas por veias dilatadas e tortuosas, principalmente na região das pernas, coxas e pés.
De acordo com o cirurgião vascular Dr. Sergio Ari, a obesidade prejudica a circulação venosa dos membros inferiores por diferentes mecanismos, que vão desde efeitos mecânicos diretos até alterações bioquímicas crônicas.
"O excesso de gordura visceral e subcutânea eleva significativamente a pressão dentro da cavidade abdominal. Isso causa compressão direta das veias pélvicas e ilíacas, que são as principais vias de drenagem do sangue das pernas", diz o Dr. Sergio Ari.
"A gordura abdominal atua como uma 'pinça' sobre as veias profundas, dificultando o retorno venoso do sangue das pernas em direção ao coração, gerando uma hipertensão venosa crônica (aumento da pressão dentro das veias), que é o fator central na insuficiência venosa", complementa.
Outro fator é a sobrecarga mecânica, que leva à compressão das paredes venosas, impedindo o fechamento correto das válvulas. Isso leva a uma disfunção e ao refluxo, ocasionando uma dilatação progressiva das veias, detalha o médico.
"Por último, a obesidade leva a uma inflamação crônica que resulta na produção de citocinas pró-inflamatórias pelo tecido adiposo, que danificam o endotélio vascular (revestimento das veias) e reduzem o teor de elastina, alterando a integridade estrutural das veias (causa da dilatação e tortuosidade)", afirma Dr. Sergio Ari.
O cirurgião vascular e fundador da Clínica Angioclin, localizada em São Bernardo do Campo (SP), ressalta que o controle do peso deve ser considerado parte fundamental do tratamento e da prevenção da doença venosa. Dr. Sérgio Ari explica que esse cuidado é a base da manutenção da saúde vascular, ajudando a garantir que os resultados de uma cirurgia ou escleroterapia (injeção de medicamentos) durem anos, em vez de meses.
"Atualmente, temos muitos recursos para o tratamento da obesidade, que não se limita apenas à dieta e à atividade física. Precisamos reequilibrar todo o metabolismo, pois estes pacientes apresentam um processo inflamatório importante, além do estresse oxidativo com formação de radicais livres. Assim, é necessário fazer uma ampla abordagem por meio de uma equipe multidisciplinar", diz o profissional.
O acompanhamento, segundo o Dr. Sergio Ari, deve ser contínuo, de acordo com o grau de evolução do paciente. Dessa forma, é possível reduzir um dos principais fatores que impactam sobre a saúde vascular. De acordo com o médico, há também outros causadores, como predisposição genética, idade avançada, sexo feminino (devido a gestações e hormônios), sedentarismo e permanência prolongada em pé.
Dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) revelam que, no Brasil, pelo menos 145 mulheres são internadas todos os dias para tratamento de varizes, o que equivale a cerca de seis cirurgias por hora realizadas na rede pública de saúde.
O levantamento, feito a partir de registros do Ministério da Saúde, mostra que, entre 2013 e 2022, 76% dos 695 mil casos registrados envolveram mulheres, totalizando mais de 529 mil internações no período.
O Dr. Sergio Ari alerta, ainda, que as varizes não são apenas uma questão estética, pois podem causar dor e levar a complicações como dermatite ocre, úlceras venosas, tromboflebite e até trombose. A consequência é um impacto negativo na qualidade de vida, além de custos elevados com saúde.
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