A disputa entre a Boibras Indústria e Comércio de Carnes e sua parceira comercial BMG Foods ganhou um novo capítulo na Justiça e acendeu um alerta sobre a continuidade das operações industriais em São Gabriel do Oeste.
A Boibras, que possui planta industrial no município e está em processo de recuperação judicial, acionou o Judiciário alegando descumprimento de contrato de industrialização por encomenda. Diferente do que chegou a ser ventilado inicialmente, o conflito não envolve duas indústrias frigoríficas locais, já que a BMG atua como parceira comercial responsável pelo envio de gado para abate.
Segundo a empresa sul-mato-grossense, a situação representa risco de “asfixia financeira”, causada por falhas na execução do contrato, afetando diretamente a sustentabilidade das operações.
Queda na produção e risco à operação
O contrato firmado em 2023 previa o abate mínimo de 12 mil cabeças de gado por mês. No entanto, documentos apresentados pela Boibras indicam uma queda significativa nos volumes, culminando praticamente na paralisação das atividades em março de 2026.
Para uma empresa em recuperação judicial, essa redução compromete o fluxo de caixa necessário para pagamento de funcionários, fornecedores e cumprimento do plano aprovado pela Justiça.
Inadimplência e impasse financeiro
A defesa da Boibras também aponta que a BMG Foods teria deixado de quitar serviços que já ultrapassam R$ 10,9 milhões. O impasse se intensificou após a tentativa de compensação unilateral por parte da parceira, no valor superior a R$ 19,5 milhões, sob a justificativa de investimentos em obras.
A Boibras contesta a medida, alegando que o contrato estabelece limites claros para esse tipo de compensação, tornando a retenção de valores juridicamente questionável.
Decisão judicial garante continuidade
Diante do risco concreto de paralisação da atividade empresarial, a juíza Samantha Ferreira Barione, da 2ª Vara Cível do município, concedeu tutela de urgência favorável à Boibras.
A decisão suspende provisoriamente os efeitos operacionais do contrato com a BMG e autoriza a empresa a prestar serviços a outros clientes, medida considerada essencial para manter a fábrica em funcionamento e preservar empregos.
Posicionamento da empresa
Em nota oficial, a Boibras afirmou que a ação judicial não representa um rompimento imotivado, mas sim uma reação diante da inadimplência e do desequilíbrio econômico causado pela parceira.
A empresa destacou ainda que segue comprometida com a legalidade e pretende utilizar sua capacidade produtiva para atender novos mercados, com foco inclusive na exportação para o mercado chinês.
O caso segue em tramitação e deve ter novos desdobramentos nos próximos meses.
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