O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) cumpre 14 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais em investigação sobre suspeito desvio de recursos públicos destinados ao transporte universitário de Nova Alvorada do Sul. A operação, chamada Rota Desviada, apura a atuação do ex-vereador Sidcley Brasil e do vereador Ronaldo Camargo. As diligências ocorrem nesta terça-feira (19).
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), os mandados são cumpridos em Campo Grande, Dourados, Nova Alvorada do Sul, Fernandópolis e Ituiutaba. As ordens foram expedidas a pedido da 1ª Promotoria de Justiça de Nova Alvorada do Sul, em ação conjunta do Gecoc com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
A equipe esteve na loja de materiais de construção Nova Brasil Empreendimentos Ltda, na Vila Maria de Lourdes, em Nova Alvorada do Sul, de propriedade de Sidcley Brasil, e também na casa dele, no andar superior do estabelecimento. O vereador Ronaldo Camargo é outro alvo da busca.
De acordo com o Gecoc, os investigados teriam usado a Associação dos Estudantes Universitários de Nova Alvorada do Sul (Aeunas) para operacionalizar o esquema. As apurações indicam que recursos do Termo de Fomento firmado entre o município e a entidade, destinado ao custeio do transporte de universitários, eram desviados por meio de sucessivas transferências em benefício de servidores públicos e membros do Legislativo municipal.
A prefeitura repassou R$ 803 mil em 2023 e R$ 900,4 mil em 2024 à Aeunas. Do total previsto para este ano, R$ 862 mil foram destinados à locação de dois ônibus para o transporte dos estudantes até Dourados.
Segundo apuração do Campo Grande News, a operação está ligada a inquérito aberto em fevereiro de 2024, quando o MPMS passou a investigar gastos com o transporte de universitários de Nova Alvorada do Sul para Dourados. Naquele período, um dos ônibus usados no serviço era de Sidcley Brasil, então vereador e presidente da Câmara.
O Gecoc informou que o cumprimento das medidas cautelares foi autorizado pelo Judiciário com base nos elementos reunidos na investigação, que apura os crimes de peculato, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A reportagem entrou em contato com os dois investigados. Ronaldo Camargo disse que ainda estava tomando conhecimento dos fatos e que se manifestaria posteriormente, mas afirmou que “não tem nada a ver” com o caso. Sidcley Brasil não respondeu a reportagem do Campo Grande News.
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