Já é considerada a maior operação contra o narcotráfico nas fronteiras do Brasil, a apreensão de 260 toneladas de madeira, que escondiam cocaína, divididas em oito caminhões, sendo que quatro veículos saíram de Corumbá, na fronteira com a Bolívia. No dia 5 de junho, as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) passaram a ser consideradas terroristas pelos EUA
Parte da carga também estava em outros quatro caminhões em Cáceres (MT). A megaoperação conta com apoio internacional dos Estados Unidos e da Aduana Nacional da Bolívia.
A droga era colocada dentro da maneira, ainda de forma líquida. Segundo autoridades policiais, o uso de madeira como meio de contrabando envolve técnicas de camuflagem que buscam burlar a fiscalização em portos e fronteiras. O modelo de praticar esse transporte é considerado um dos mais sofisticados no cenário do crime.
De acordo com a Receita Federal, no início do mês, uma carga com o mesmo estilo de transporte de droga foi identificada no Chile. Isso porque uma carga com 100 toneladas de cocaína da Bolívia foi interceptada no Chile.
Um esquema parecido foi identificado na fronteira do Brasil e começou a ser monitorado ainda na sexta-feira (19), após fiscalização. Os criminosos utilizaram a mesma técnica, misturando a cocaína na madeira, para despistar as autoridades policiais.

Na ocasião, 260 toneladas da carga foram apreendidas. A polícia estima que ao menos 50 toneladas da carga sejam de cocaína. Em Corumbá, foram interceptados 4 caminhões que totalizaram 130 toneladas. A mesma carga e as mesmas quantidades foram apreendidas também em Cáceres (MT).
A perícia técnica já confirmou que cocaína foi identificada na carga. Contudo, os trabalhos periciais continuam para contabilizar o total das drogas.
A cooperação internacional contou com a atuação entre as aduanas, os EUA e a Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico, FELCN da Bolívia.
Já no Brasil, as autoridades que auxiliaram foram:

A operação foi intitulada Timber Shield e evidencia um grau de sofisticação das organizações criminosas no cenário do tráfico internacional.
Segundo informações, a carga, que veio da Bolívia, deve permanecer no Brasil, sob cuidados das autoridades brasileiras. Contudo, autoridades da Aduana Nacional da Bolívia deverão continuar acompanhando o processo.
As cargas permanecem sob fiscalização das equipes policiais.
No dia 5 de junho, as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) passaram a ser consideradas terroristas pelos EUA. As facções foram classificadas como FTO (Organizações Terroristas Estrangeiras).
As facções atuam também com o tráfico de drogas. A disputa entre ambas as facções por território no Brasil tem aumentado no decorrer dos meses.
O anúncio da classificação foi feito pelo Departamento de Estado americano, quando as duas facções já haviam sido enquadradas como “Terroristas Globais Especialmente Designados”, classificação que passou a valer de imediato.
Conforme o secretário de Estado, Marco Rubio, o CV e o PCC estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e sua atuação se estende para além das fronteiras brasileiras, alcançando o território americano. Com a medida, o governo dos EUA tenta interromper o fluxo de recursos que financiam “narcoterroristas violentos”.
As duas classificações viabilizam congelamento de ativos, proíbem transações com os grupos designados, vetam a entrada de integrantes nos EUA — que podem ser deportados — e obrigam instituições financeiras americanas a reportar fundos ligados às facções ao Departamento do Tesouro, segundo a CNNMas essa medida não altera a legislação brasileira, já que esta classificação unilateral de um país não produz efeitos automáticos sobre o ordenamento jurídico de outro.Com a decisão, PCC e CV passam a integrar uma lista de mais de 90 organizações tratadas como terroristas estrangeiras pelos EUA, ao lado de grupos como Hamas, Hezbollah, Al Qaeda e Estado Islâmico, além de cartéis latino-americanos como Sinaloa e Tren de Aragua.Governo Trump afirma querer ‘eliminar’ as facçõesO governo identificou atuação das facções brasileiras em 12 estados dos EUA, sem detalhar quais. Do lado brasileiro, a avaliação do Palácio do Planalto é que não há possibilidade de recuo dos EUA e que a entrada em vigor da medida não deve trazer prejuízos imediatos à economia do país. Nos bastidores, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a avaliar que a decisão teve o aval de Trump — e não apenas de Rubio, a quem o petista já chamou de “latino-americano frustrado”.
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