A Polícia Civil investiga dois empresários por filmarem e divulgarem um vídeo de abuso contra um adolescente de 14 anos, em uma cidade na região leste de Mato Grosso do Sul. A denúncia do crime chegou à polícia em fevereiro deste ano.
Segundo o boletim de ocorrência, um dos investigados é proprietário de uma academia, enquanto o outro possui uma loja de ração. Assim, eles teriam publicado o vídeo do crime em um grupo.
Na ocasião, os dois suspeitos teriam sido gravados oferecendo R$ 20 para que o adolescente deixasse que um deles batesse em seu rosto com a genitália de um animal, possivelmente um cavalo. O vídeo teria registrado o momento em que um dos suspeitos diz: “só valeria a aposta se a genitália alcançasse a boca do menor”, conforme o registro policial.
Em seguida, o adolescente teria se proposto a fazer a aposta e se ajoelhado. Neste momento, segundo o boletim de ocorrência, um dos suspeitos teria tentado colocar a genitália do animal na boca do adolescente.
Ainda conforme o registro, os suspeitos teriam dito: “Abre a boca”, quando induziram o menor a pegar a genitália do animal e fazer movimentos. Na delegacia, a polícia identificou que o adolescente teria TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e TOD (Transtorno Opositivo Desafiador).
Além disso, a avó do adolescente teria autorizado o menor a ir para o haras, visto que ele vai ao local com frequência e o suspeito seria pessoa de confiança da família.
Após a divulgação do vídeo, as imagens chegaram ao conhecimento de uma conselheira tutelar. Ainda há a informação de que o adolescente explicou para a avó que a dupla ofereceu R$ 20 para gravar o vídeo e transferiu o valor via Pix na conta dele.
Já no dia 1º de março, dois adolescentes estavam assistindo ao vídeo, quando a mãe de um deles percebeu que uma das vozes aparentava ser do dono da loja de ração. Logo, ela foi até a delegacia, onde relatou os fatos.
Na delegacia, a mulher disse desde os 10 anos, seu filho acompanha a dupla, pois ele costuma ir até o haras para laçarem. Contudo, o filho dela, atualmente com 16 anos, teria dito que o fato ocorrido com o adolescente se trata de uma ‘brincadeira’, mas que os empresários lhe pagaram um valor por isso.
Depois, o Conselho Tutelar procurou a mulher e confirmou que dias atrás soube de um vídeo que estava no aparelho celular de um menor.
Ainda de acordo com o relato dela à polícia, seu filho não possui nenhum transtorno ou doença que comprometa sua saúde mental. Ela também disse que não sabe se há mais vídeos e que seu filho nunca relata o que ocorre no haras. Por isso, ela apenas acreditava que os menores iam até o local para laçarem, visto que tinha total confiança nos empresários.
Por fim, contou aos policiais que o dono da loja de ração chamava o filho dela para laçar, na maioria das vezes. Porém, eventualmente, também chamou o adolescente para trabalhar na fazenda dele com plantio de grama e tratamento de cavalos.
Apesar dos relatos, a dupla de empresários não foi presa e a Polícia Civil segue com as investigações.
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