Na manhã desta terça-feira, dia 1º de abril, um incidente envolvendo a equipe médica da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), do bairro Coronel Antonino, em Campo Grande, gerou confusão e levou à intervenção da PM (Polícia Militar). O pai de uma criança de 10 anos, que havia sido atendida na unidade de saúde devido a uma hemorragia nasal e vômitos, registrou um boletim de ocorrência acusando omissão de socorro por parte da unidade.
De acordo com relatos de Rosimeire Farias, vice-presidente do Simed-MS (Sindicato dos Médicos do Estado de MS), o pai da paciente ficou insatisfeito ao perceber que não havia vagas para a internação da criança na enfermaria. Ele teria se irritado, decidido procurar seus direitos e, em seguida, retornado à unidade acompanhado pela Polícia Militar. Ao chegar, os policiais deram voz de prisão à médica que havia atendido a paciente.
Segundo Rosimeire, a situação escalou quando a Polícia Militar começou a agir de forma autoritária, pedindo para falar com a gerente da unidade. “Chegaram aqui dentro com autoritarismo e queriam chamar a gerente. Pediram para ela ir até eles, mas a gerente pediu que fosse até a sala deles. A resposta foi negativa, e disseram que se ela não fosse até lá, dariam voz de prisão para a gerente”, explicou.
Segundo o site Campo Grande News, durante o incidente, a PM entrou nas salas para confirmar que os médicos estavam em atendimento. Apesar de o atendimento ter continuado normalmente, a gerente decidiu suspender temporariamente os atendimentos em algumas áreas da unidade, exceto na sala vermelha e na enfermaria, para evitar uma possível escalada de conflitos com a população. “O atendimento foi retomado imediatamente, não houve grande intervalo sem atendimento”, afirmou Rosimeire.
A vice-presidente do sindicato ainda destacou que a médica denunciada pela ocorrência, que já havia atendido a criança, foi a responsável por providenciar uma cadeira para que a mãe da paciente pudesse se sentar enquanto aguardava mais informações.
Marcio Almeida, representante do setor jurídico do sindicato, expressou preocupação com a atitude da Polícia Militar. 'Quando essas situações acontecem, a polícia deveria primeiramente buscar a gerência para evitar que a população sofra com a assistência. Caso contrário, a situação pode sair do controle, como foi o caso', afirmou.
Ele também sugeriu a criação de um protocolo de atuação junto à Secretaria de Segurança Pública do Estado, para que, ao receber denúncias de omissão de socorro, a PM primeiro se comunique com a gerência da unidade de saúde antes de tomar qualquer ação, garantindo assim o bom funcionamento do atendimento.
Desgaste
Sobre o aumento de atendimentos e os problemas de superlotação nas unidades de saúde, Rosimeire também apontou que os médicos, enfermeiros e técnicos estão enfrentando uma sobrecarga de trabalho devido ao crescente número de pacientes.
'Estamos fazendo o melhor que podemos, mas precisamos da paciência da população. Não podemos atender a todos da mesma forma devido ao aumento da demanda, especialmente com sintomas respiratórios', explicou.
Em depoimento, Daiane Nunes, que estava acompanhando seu marido com uma luxação, relatou que a confusão causou um atraso nos atendimentos. 'Eles estavam atendendo dois pacientes por vez, mas depois da confusão, só estavam fazendo a triagem. A gerente explicou que não era necessário chamar a polícia, pois era uma UPA', afirmou.
Já Bárbara de Oliveira, que acompanhava sua sobrinha, contou que a situação se agravou após a chegada da polícia. 'A sala de medicação estava fechada e, após a chegada da PM, começaram a aparecer médicos e residentes. Quando a PM chegou, estavam procurando uma médica que estava sendo detida', disse Bárbara.
Resposta - A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, em nota, esclareceu que não houve omissão de socorro durante o atendimento à criança. A pasta informou que a menina foi atendida e encaminhada à enfermaria para observação, mas não havia vagas para internação imediata.
'Foi solicitado que a criança aguardasse enquanto a médica responsável procurava um leito. O pai da criança, insatisfeito, registrou um boletim de ocorrência na delegacia. Contudo, antes mesmo do retorno do pai à UPA, a paciente já estava recebendo medicação', afirmou a nota.
A prefeitura também explicou que a sobrecarga nas unidades de urgência e emergência tem levado a um aumento no número de atendimentos, que subiram de 2,5 mil para 4,5 mil por dia, o que dificulta o fluxo adequado nas unidades de saúde.
Polícia Adolescente fica em estado grave em acidente entre bicicleta elétrica e van em Três Lagoas
Policial Porsche é apreendida e três pessoas são presas durante operação contra organização criminosa em MS
Polícia Suspeito morre em confronto com policiais durante operação contra facção criminosa em Costa Rica
Polícia 'Eu só preciso da sua foto', médico fotografado durante discussão em unidade de saúde
Polícia Homem morre após ser baleado em tiroteio no centro de Costa Rica
Policial Ajudante de mecânico encontrado com sinais de estupro morre na Santa Casa de Campo Grande Mín. 18° Máx. 32°
Mín. 16° Máx. 21°
Chuvas esparsasMín. 15° Máx. 30°
Tempo limpo