O reajuste acompanha a escalada do petróleo inflacionada pelas tensões no Oriente Médio e incide sobre um estado que, neste momento, tem mais de R$ 1,17 bilhão empenhado apenas em obras pela Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos). Também mantém contratos ativos de pavimentação financiados por um empréstimo de R$ 2,3 bilhões junto ao BNDES e ainda aguarda a liberação de outros US$ 280 milhões em crédito externo junto ao Banco Mundial, além de R$ 950 milhões no Banco do Brasil, recursos que foram calculados com planilhas de custo elaboradas antes do choque.
Com o portfólio de quase R$ 3 bilhões de obras em execução e alta de 38% no CAP, o intervalo de reequilíbrio pode chegar a R$ 400 milhões, dependendo da intensidade de uso do insumo em cada obra.
Cada tonelada a mais de CAP que não puder ser paga sem reequilíbrio contratual pode significar, ao fim da cadeia, mais um trecho de rodovia interrompido e obras que podem virar estatística negativa em relatórios de execução.
Guerra TRUMP vs Irã
Para entender o tamanho do problema que bate à porta das empreiteiras sul-mato-grossenses, e do governo estadual, é preciso conectar três pontos no mapa: o Estreito de Ormuz, onde tensões geopolíticas encareceram o petróleo global no primeiro trimestre de 2026; a Refinaria de Mataripe e a Replan, principais fornecedoras do CAP no Brasil, que repassaram os custos em dois ajustes consecutivos; e Campo Grande, onde a Agesul administra hoje uma carteira de obras cuja viabilidade financeira nunca esteve tão pressionada.
No Ceará, dois reajustes do CAP pela Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste, 22,45% em abril e 16,38% em maio, já colocaram 26 obras estaduais em ‘alerta vermelho’, segundo o setor de construção pesada daquele estado.
Em Mato Grosso do Sul, o ângulo é diferente, mas igualmente grave: aqui o reajuste mais recente autorizado pela Conisul foi de 17%, e os especialistas alertam que o insumo pode representar até 70% do custo total de um contrato de pavimentação asfáltica. Somado ao aumento de outros insumos, diesel (que encareceu o frete e demais logísticas da obra), cimento, aço, tubos de PVC e tintas de sinalização, o quadro configura o que economistas do setor chamam de fato superveniente extraordinário, conceito jurídico central na disputa que está apenas começando entre contratadas e governo estadual.
“O reajuste do CAP não é uma surpresa de mercado ordinária. É um choque causado por evento geopolítico imprevisível, que se enquadra como hipótese de reequilíbrio. Negar isso seria negar o direito e a matemática ao mesmo tempo”, avaliam diversas entidades que representam o setor no Brasil.
A Seilog (Secretaria de Infraestrutura e Logística do MS), chefiada pelo secretário Guilherme Alcântara de Carvalho, ainda não divulgou um protocolo oficial de resposta ao choque do CAP. Entretanto, informações disponíveis sugerem que o governo está ciente do problema.
As obras grandes já têm contratos em andamento, mas o grau de cobertura para reequilíbrio ainda é desconhecido publicamente.
“Obras de menos de R$ 2 milhões não têm gordura para absorver 17% de alta no principal insumo. Se o governo demorar para processar o reequilíbrio, o empreiteiro tem duas saídas: trabalhar no prejuízo ou parar. A maioria vai parar.”, avalia um empreiteiro que não quis se identificar.
Política Proposta que criminaliza misoginia avança na Câmara dos Deputados
Política Prefeita decreta intervenção no transporte coletivo da Capital
Política TCE emite parecer para reprovação de contas e prefeito pode ficar inelegível Mín. 20° Máx. 28°
Mín. 18° Máx. 29°
Tempo nubladoMín. 19° Máx. 32°
Tempo limpo